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Pensamento político e social, Estado e ação coletiva

Esta linha de pesquisa, que tem como temática mais geral a relação entre Estado e sociedade, articula três vertentes de investigação: a primeira abrange os estudos sobre o pensamento político e social; a segunda enfoca os temas ligados ao Estado; e a terceira investiga a problemática da ação coletiva. Cada uma dessas três vertentes está imbricada com as demais.

A primeira vertente inclui investigações sobre o pensamento social e político produzido no Brasil, na América Latina e em outros contextos nacionais e regionais. A dimensão nacional e os aspectos mais gerais do pensamento social e político estão, no nosso entender, profundamente ligados. Um estudo no campo do pensamento político-social brasileiro e latino-americano não dispensa, antes exige, um sólido conhecimento do pensamento político-social ocidental como um todo. Este pensamento, em suas múltiplas vertentes, é, com efeito, a referência básica a partir da qual se formula em particular, o pensamento brasileiro. Antes de mais nada, por ser o pensamento que origina, discute e contempla, de maneira geral, as maiores questões que o movem: qual modelo de boa ordem política deve ser adotado? Em que medida tal modelo é adequado à sociedade que o sustenta? Quais são as principais características e dinâmicas dessa sociedade? Qual é a relação desejável entre o indivíduo/cidadão e a comunidade? Como se constroem as nações e quais as relações entre nação, Estado e povo? As respostas a perguntas desse tipo podem ser particulares, mas as questões são universais, pelo menos no âmbito do mundo ocidental. O pensamento brasileiro e latino-americano não é formulado no vácuo, e sim em um contexto sócio-político e intelectual que transcende as fronteiras nacionais.

A relação entre pensamentos possui, igualmente, uma dimensão temporal. O pensamento social e político contemporâneo não pode prescindir do passado: além de ultrapassar fronteiras nacionais, alguns problemas fundamentais da política e da vida social são continuamente repostos ao longo do tempo. Entender a maneira como foram formulados e enfrentados na tradição do pensamento social e político é um dos caminhos para esclarecer o debate teórico contemporâneo. A própria análise da visão contemporânea sobre o passado é uma das formas profícuas de entender não apenas o passado, mas também a contemporaneidade.

A segunda vertente desta linha de pesquisa está relacionada com a primeira na medida em que tem como foco principal o Estado, um dos temas fundamentais no pensamento político-social. Cabe aqui também ressaltar a relação entre pensamento político-social e instituições políticas. As instituições políticas não são meras peças de engenharia, e sim construções históricas, objetos e frutos de circunstâncias, de lutas, de debates, enfim, de pensamento. O mesmo raciocínio vale para o tema das políticas públicas, integrante desta vertente, que não pode ser desvinculado do debate de idéias que as forjaram. A forma pela qual se dá a atuação do Estado em áreas como saúde, educação, segurança, habitação, infraestrutura urbana e meio ambiente pressupõe uma concepção anterior da natureza do Estado em questão, da forma pela qual se articula a relação entre Estado e sociedade e do próprio papel do indivíduo como cidadão.

Finalmente, a terceira vertente, que tem como foco a ação coletiva, relaciona-se à mobilização de grupos sociais, sejam eles definidos a partir de um recorte de classe (organização sindical, partidária, etc.), de recortes identitários (de gênero, étnico, de localidades) ou de outras fronteiras culturais de várias ordens, incluindo a questão ambiental, etc. Essa área de investigação é, acreditamos, central para a compreensão mais aprofundada da relação entre Estado, nação e sociedade, como também da relação entre Estado, sociedade e indivíduo - como cidadão, portador de direitos e agente de deliberação.

As pesquisas sobre as relações entre formas de ação coletiva e Estado abrangem um conjunto de preocupações que, envolvendo as dimensões sócio-econômicas, políticas, ideológicas e culturais da vida social, suscitam a reflexão sobre desigualdades sociais, direitos da cidadania, desenvolvimento sócio-econômico, transformações do mundo do trabalho, mudanças sociais relacionadas ao aquecimento global, desigualdades urbanas e regionais associadas aos processos de urbanização e metropolização, entre outras questões relevantes. Mais uma vez, vale lembrar a relação dessa vertente com a primeira: o pensamento, ou o debate de idéias, é fundamental para a configuração da ação coletiva na sociedade civil, notadamente por sua apropriação sob a forma de ideologias, que levam à mobilização dos agentes sociais nas arenas públicas.

Reafirmando a importância da imbricação entre os planos interno e externo, local, regional, nacional e internacional, essa linha de pesquisa também buscará investigar os aspectos do contexto internacional que potencialmente poderão afetar instituições, políticas públicas e movimentos sociais no Brasil, a exemplo de acordos sobre comércio internacional, convenções sobre direitos humanos e trabalhistas, políticas de imigração, além das (re)configurações geopolíticas.

 

Professores orientadores:

Antonio Sérgio Carvalho Rocha

Bruno Konder Comparato

Carlos Alberto Bello e Silva

Christina Windsor Andrews

Daniel Arias Vazquez

Davisson Charles Cangussu de Souza

Débora Alves Maciel

Gabriela Nunes Ferreira

Henrique José Domiciano Amorim

Henrique Zoqui Martins Parra

Humberto Prates da Fonseca Alves

Ingrid Cyfer

Javier Amadeo

José Lindomar Coelho Albuquerque

Júlio César Casarin Barroso Silva

Maria Cristina Pompa

Maria Fernanda Lombardi Fernandes

Melvina Afra Mendes de Araújo
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