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Corpo, sexualidade, práticas simbólicas

Esta linha de pesquisa pretende, à luz do debate contemporâneo, contemplar as tradições teóricas clássicas das Ciências Sociais. Composta por eixos de investigação, que, embora concebidos separadamente, podem se entrecruzar, esta linha articula-se em torno de estudos e temas relativos ao corpo e à sexualidade, que, na perspectiva das ciências sociais, são entendidos em sua dimensão simbólica, ou seja, no e pelo sentido que lhes é social e historicamente dado. Essa perspectiva ampla de articulação em torno da dimensão simbólica permite reunir e acolher outras temáticas atuais das ciências sociais, pensadas como práticas simbólicas.

No que concerne os estudos sobre o corpo, tema clássico nas ciências sociais, o corpo e as práticas a ele associadas são tradicionalmente pensados, mesmo neste campo do conhecimento, a partir da dicotomia natureza e cultura. Procurando inserir-se no debate contemporâneo crítico a essa tradição, que inclui a crítica ao "fisicalismo" e ao "biologicismo", e pensando a própria noção de natureza como uma construção social, essa vertente incorpora os estudos sobre o corpo sob ângulos diversos. Questões relativas à sua conformação, ao mesmo tempo, biológica e cultural, às técnicas corporais assimiladas no decorrer da socialização, às formas de cuidado, às intervenções curativas ou estéticas que lhe são imputadas, à intervenção das biotecnologias ou à sua negação por concepções naturalistas, à construção do corpo associada à construção social da pessoa, entre outras, fazem parte dos projetos que poderão compor esta vertente.

A questão da sexualidade foi e ainda é, tradicionalmente, pensada por diversas disciplinas a partir de um caráter normativo/terapêutico. É o caso, notadamente, dos estudos médicos e psiquiátricos. Nas ciências sociais, os estudos sobre sexualidade foram impulsionados, a partir da década de 1960, pelos estudos sobre gênero e, posteriormente, pelo advento da epidemia de HIV/Aids. A especificidade em pensar a sexualidade a partir das ciências sociais é, exatamente, a crítica ao caráter normativo/terapêutico, pensado, ele próprio, como problema de investigação. A sexualidade, estrutura inconsciente, pela qual se pode pensar, como qualquer fenômeno humano, a sociedade, o poder e a cultura, é, junto ao corpo, um dos temas privilegiados para se pensar a articulação entre o subjetivo e o objetivo, o individual e o social, sendo o enfrentamento entre o essencialismo e o construtivismo, portanto, intrínseco a esse campo temático. O tema da sexualidade surge também a partir de outras problemáticas, tais como saúde e, particularmente, saúde reprodutiva, violência e identidade.

Com a preocupação de repensar continuamente as formas como são configuradas histórica, social e culturalmente as concepções sobre o corpo, o outro e si mesmo, esta linha de pesquisa abarca uma vasta gama de projetos ligados aos estudos sobre corpo, saúde, religião, ciências, sexualidade, gênero, violência e relações interculturais.

Esta linha de pesquisa responde, ainda, à inserção deste Programa numa universidade tradicionalmente vinculada ao campo da saúde. Buscamos circunscrever esse campo temático em novo registro analítico, distinto das ciências biomédicas, considerando a epistemologia própria das ciências sociais para analisar, sob outro olhar, os fenômenos do corpo, da doença, da saúde e da sexualidade como práticas simbólicas.

Professores orientadores:

Alessandra El Far

Andréa Claudia Miguel Marques Barbosa

Cynthia Andersen Sarti

Maria Cristina Pompa

Melvina Afra Mendes de Araújo

Tatiana Savoia Landini

 

 

 

 

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